ARTE, CULTURA E AUTOCONHECIMENTO PARA MELHOR QUALIDADE DE VIDA


VERI MENEZES- POETA

Veri Menezes nasceu em São Sebastião do Passé no dia 16 de março de 1977 e escreve desde os 11 anos de idade. Filha de Roque das Chagas Menezes e Vera Lúcia dos Santos, é apaixonada pela família. No inicio a escrita servia-lhe de organização das ideias, para entender a si mesma e ao mundo, depois passou a escrever versos e estrofes que eram guardados em cadernos secretos, mas sem qualquer pretensão de publicação. Ao se tornar professora e se destacando no uso das rimas a escritora Veri Menezes passa a escrever cordéis a pedido dos seus alunos e colegas de trabalho. A poesia não sai mais de sua vida e lhe serve como base de reflexão sobre os sentimentos humanos, a vida e sua efemeridade. Suas escritas são carregadas de irreverência, humor e as rimas presentes em seus textos possibilitaram adentrar no gênero Cordel, usado como instrumento de valorização e resgate da cultura de sua terra.

 

BRUMADINHO

 

Não há lama que cubra

As lágrimas dessas cidades.

Do pegajoso barro

Que fez parar o trabalho

Que fez correr as pessoas

Ou não movê-las mais.

Brumadinho e Mariana

Tragédias anunciadas

Burocracia mamária

Dos ricos empresários.

 

Não há lama que mostre

Pra onde foram as casas

as pessoas, o lugar.

Vemos bombeiros,

Grandes heróis

Cobertos de lama

Em busca de vida.

 

É a força da natureza

Reprimida nas paredes

Rachadas, avaliadas.

Por uma má análise.

 

Não há lama que fale

A dor da perda.

Brumadinho e Mariana

Não é dupla sertaneja.

É o retrato da tristeza

Do nosso Brasil