ARTE, CULTURA E AUTOCONHECIMENTO PARA MELHOR QUALIDADE DE VIDA
Tabaco pro Povo
05/01/2012 16:15|
TEXTO DRAMÁTICO PARA ANIMAÇÃO DO FORRÓ NA PRAÇA TÍTULO: “TABACO PRO POVO” TEXTO: CÁTIA SANTANA
PERSONAGENS: JUIZ DE PAZ - ESPOSA DO JUIZ DE PAZ - FLOR NOIVO - ZÉ DO Se NOIVA - DORINHA MÃE - IMBECILDA PAI - SEU LOURENÇO AMANTE - DO CARMO
CENA I (Uma mulher vende tabaco entre as pessoas)
Amante - Olha o tabaco! Olha o tabaco! Quem quer comprar tabaco? Compra moço, é de boa qualidade. (sai de cena).
CENA II
Noiva - (Entrando) Não gostei! Não gostei...
Noivo - (Entrando) Do que Dorinha? O que foi agora meu dengo?
Noiva - Como é que você contrata a dupla Tabaco Pro Povo para cantar no nosso casamento?
Noivo - Que é que tem amorzinho? Eu não tive outra escolha, o cantor é o Juiz de paz que vai fazer nosso casamento. Você não gosta da Banda?
Noiva - Gosto! Mas acho que não fica bem! Afinal vai ser uma ofensa pros convidados. Sei lá, Tabaco pro povo... O povo pode não entender!
Noivo - Entende... E gosta! Aqui no Brasil é assim: É Cesta do Povo, peixe pro povo, vale gás, auxilio a pobreza, bolsa escola e o povo ainda acha bonito. Então, tabaco Pro Povo!
Noiva - Ocê é quem sabe! Eu não quero problema na minha festa de casamento em Zé?
Noivo - Relaxe meu dengo... Relaxe senão, não encaixa.
( .................. com a noiva que dá um tapinha na mão dele)
CENA III
Mãe - (Entrando) O que não encaixa seu Zé do Se.
Noivo - Nada de mais Dona Imbecilda! É o armário da cozinha... (rindo para a noiva) Não é meu dengo?
Noiva - Hoje tô com uma dor de cabeça, meu juízo tá apertado! Noivo - (Para o publico) Se ela tivesse juízo, não daria para apertar de tão pequeno, olhe o tamanho do cérebro da Jumenta!
Mãe - O quê? (com expressão de imbecilidade)
Noivo - Nada! (com paciência)
Mãe - Mas seu Zé do Se, eu não disse que dá azar vê a noiva no dia do casamento? Passe daqui home! Tá brincando com a sorte? Venha Dorinha que eu vou te ensinar como é que você vai fazer no dia da lua de mel. Que dia que vai ser?
Noiva - Mãe... A lua de mel é no mesmo dia do casamento (saindo e abraçando a mãe com carinho)
CENA IV
Noivo - Dona Imbecilda tá ficando velha... Imagine; azar! Impossível. Eu sou um homem de grande sorte! Vou casar com uma jovem mais rica da redondeza. Rica, bonita e virgem! A Dorinha é inocente como o recém-nascido! Tá rindo de que minha filha? Não julgue os outros por você não, viu... Gostosa! Mas você tá certa, tem que ser solidária, dá a todo mundo... Eta pessoa! Tô falando de amor...
Pai - Tá falando sozinho meu genro? Não se arrumou ainda/
NOIVO - Oi seu Lourenço! Quando eu falo o seu nome me lembro de seu Lourenço, Lourenço Santana, o vendedor de fogos, homem bom, conversador, indentido de política(para o público) aquele dá barraca perto do João Paim. Lá vendia de tudo... Se Lourenço vendia fogos o ano todo e São João trazia vulcões de todas as formas e cores. Eu e a criançada ia na barraca de Lourenço comprar gude e aproveitávamos para comprar umas bombinhas bufinhas... bomba forte, bomba boa, boa igual a seu Lourenço.
Pai - E quem não conheceu o velho Lourenço Santana, que Deus o guarde, homem gozador, contador de causo, gente boa da nossa terra. Mas deixe de prosa e vai se arrumar.
Noivo - Tô indo meu sogro (saindo)
Pai - Zé do Se! (chamando)
Noivo - Que foi meu sogro? (voltando)
Pai - Ocê já resolveu seu arrasta asa com a do Carmo?
Noivo - Ochente meu sogro! Que arrasta asa que nada!
Pai - Não me venha com trololó! Eu também sou home sei Cuma é essas coisa. Mas né por isso que vou deixar esculhambarem com o casamento de minha fia. Tá pensando que isso aqui é BIG BROTHER Basil que a putaria rola o tempo todo? Decida sua vida, não quero surpresa no casamento de Dorinha.
Noivo - Se aveche não meu sogro! Tá tudo arrumado.
CENA V
Amante - Zé do Se! Cadê ocê home? Zé do Se!
Noivo - Fala baixo mulê! Que ocê tá fazendo aqui/
Amante - Você já decidiu o que vai fazer? Contou pra Dorinha?
Noivo - Tá doida! Eu não posso contar pra Dorinha que tu tá prenha! Tenha piedade Do Carmo a coitada é como criança... Vai ficar traumatizada!
Amante - E eu? Essa é boa... Então ocê vai casar com ela? Vai? Zé... (ameaçadora) Eu vou fazer uma...
Noivo - (apontando para a platéia) Pi.
Amante - Você está me achando com cara de ...
Noivo - Pi.
Amante - Zé do Se você não casa comigo, por que eu sou pobre! Você é um filho da...
Noivo - Pi.
Amante - Para de tanto Pi, pi, pi, você não quer casar comigo porque eu ganho a vida vendendo tabaco... Quer saber? Quero que você se...
Noivo - Ô (ameaçando com o dedo)
(Os dois saem, ele consolando ela)
CENA VI
Juiz - (Entra tocando zabumba) Eu vou contar uma estória engraçada, Essa história aconteceu em Lacolé, Era uma moça que vendia tabaco Tabaco lá no norte é rapé Ela vendia na calçada do mercado Todo o dia a coitadinha tava lá Sempre com uma voz desafinada E pra vender bastante ela tinha que cantar:
Flor - BIS: Ô tabaco bom, bom de se comprar Ô tabaco bom venha gente vem comprar.
Juiz - Etá forró bom cabra da peste!
Flor - Intão? Que tá? (mostrando a caipira)
Juiz - Tá uma formosura, minha nega!
Flor - Intão vamos embora, que o noivo já deve de tá preocupado. Juiz - Ochente, mas purquê minha nega?
Flor - Mas ocê não é o Juiz de paz home?
Juiz - Ora que é mesmo! Vou celebrar o casamento e ainda vou tocar na festa pra ganhar meu trocado...
Flor - Pois é1 quem diria que nois ia fazer sucesso com nossa dupla; “Tabaco pró povo”.
Juiz - Pra ficar bom mesmo só falta agente aparecer no Faustão. Ai vai ser a gloria.
Flor - Ce tá é sonhando alto! Eu já ficava satisfeita, se nos tocasse no forró da praça. Cacau meu gato contrata nois vai?
Juiz - Vamo imbora mulê, eu não quero saber de mulê minha com esse tá de cacau...
Flor - Né brinquedo não. Olha lá o Zé do Se conversando com a do Carmo (olhando) Do Carmo! Zé do Se...
CENA VII
Noivo - Oi seu Juiz! Eu tô atrasado, tenho que me arrumar... Vão ficando a vontade e se chegar algum convidado, faça as honra da casa.
Juiz - Deixe comigo, mas me mostre o local.
Noivo - Vamo do Carmo!
Amante - Há Dona Flor! Todo mundo já tá desconfiado mesmo: Eu tó de bucho do Zé do Se.
Flor - Hi lascou-se! E agora menina?
Do Carmo - Ele diz que assume o filho, mas casar não casa... O que eu posso fazer - tenho vontade de acabar com a festa dele... Se eu contasse a todo mundo na hora do casamento...
Flor - Pelamor de Deus criatura. Mas será o Benedito que todo casamento na roça, tem que te um furdunço desse... Tenha Juízo menina, vá pra casa e esfrie a cabeça... vamos que eu te levo... Ainda não chegou ninguém no salão, dá tempo deu ir lá e vortá.
CENA VIII
Juiz - Flor... Flor... Cadê você minha nega?
Flor - Tô aqui! Home você vá se preparando! Que esse casamento tem tudo pra esquentar...
Juiz - É claro minha nega... Também com a Banda tabaco Pro Povo... Fica tudo fervendo.
Flor - Tá chegando os convidados e ainda não chegou os pais da noiva. Não morre mais. Se Lourenço (cumprimenta)
Pai - Como vai a senhora Dona Flor, seu Juiz?
Mãe - (Entrando logo depois) Boa noite! Cadê meu genro não chegou?
Noivo - (Entrando) Tô aqui Dona Imbecilda! Tô pronto. Cadê a Dorinha?
Mãe - A mulher de Silvio Secretario... há, ela ficou numa paciência pra se arrumar que eles ainda tão em salvador... Não vai dar tempo chegar, ligou agora.
Noivo - Dona Imbecilda tô falando da Dorinha!
Mãe - Há Dorinha de Berliê? Não vem... Vai dar umas aulas extra de ingrês.
Pai - Imbecilda! Como é o nome da nossa filha?
Mãe - Dorinha... Há! Ce quer saber da Dorinha minha filha! Tá no carro... Vou buscar... (sai).
Pai - Dona Flor... Qual a música que tabaco Pro Povo vai cantar para acompanhar a entrada da noiva.
Flor - “Se essa rua, se essa rua fosse minha Eu mandava, eu mandava ladrilhar Com pedrinhas, com pedrinha de brilhantes Para meu para o meu amor passar.
Juiz - Meus irmão: Estamos aqui reunidos para unir em matrimônio os jovens Maria das Dores Tive que da Ligeiro e o Sr. José do Se me dão eu quero. Maria das Dores tive que dar ligeiro... Você aceita o Sr. José do Se como seu marido?
Noiva - Sim seu Juiz, claro seu Juiz! Eu amo o Zé do Se.
Juiz - Sr. Jose do Se me dão eu quero. O Sr. aceita Dorinha como sua legítima esposa?
Noivo - Sim.
Juiz - Se alguém tiver alguma coisa que empeça esse casamento. Que fale agora ou se cale para sempre!
Juiz - Então... nada havendo para que os noivos se casem eu...
Amante - Pare Sr. Juiz. Pare este casamento. Eu vim te dizer Dorinha que você não pode se casar com Zé do Se.
Noivo - Do Carmo! (mão na cabeça)Você ficou maluca mulê/
Noiva - Deixa Zé! Deixa ela falar... Fala Do Carmo.
Amante - Você não pode se casar com o Zé! Eu tô esperando um filho dele...
Noiva - Por isso não minha filha... Eu também tô (exibe a barriga) Tô com 2 meses (a mãe da noiva dá um grito e desmaia) Seu Juiz continui a cerimônia...
Noivo - Espere ai seu Juiz... Dorinha meu dengo, (pega pelo braço) Dá licença que vou ter um particular com minha noiva (vai pra frente do palco)
Amante - Larga ela Zé e vem comigo.
Flor - que larga o que menina, ele deve de tá se justificando pra noiva!
Noivo - Dorinha você tá inventando essa história de gravidez não é meu dengo?
Noiva - Tô não Zé... Eu tô prenha de 2 mês. Vocês vão assistir a vários tipos de cornos: O boquiaberto. (fecha a boca de Zé)
Noivo - Mas Dorinha eu e você nunca... Você não era virgem meu dengo?
Noiva - Acorda Zé, num tempo em que home engravida mulher e não assume tem lugar pra noiva virgem?
Noivo - Então quem te engravidou?
Noiva - Corno curioso.
Noivo - Eu pego esse desgraçado.
Noiva - O vingativo.
Noivo - Eu não caso.
Noiva - Corno rebelde.
Noivo - Eu quero morrer.
Noiva - Corno suicida. E por ultimo o pensativo.
Noivo - O que eu fiz com minha vida?
Noiva - Chega Zé. O que você fez eu não sei, o que você vai fazer é o que interessa. Como é, quer que todos da cidade saibam que é corno ou vai casar
Noivo - Vou casar.
Noiva - Há! Ia esquecendo: corno discreto. Seu Juiz continue a cerimônia.
Juiz - Como nada impede esse casamento eu vos declaro marido e mulher!
Amante - (Do meio da platéia) Olha o tabaco... Compre tabaco cheiroso...
Flor - (Inicia o refrão da música)
Todos cantam a música e dançam no refrão final!
FIM!
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