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A MÚSICA EM SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ

23/03/2017 19:33

 

Por Cátia C.S.Garcez

 

Na música as expressões são sempre atreladas à qualidade e irreverência. A filarmônica Lira Sebastianense sob a batuta do Maestro Manoel Gomes que desfilava pelas ruas da cidade no início dos anos de emancipação. Logo depois a Orquestra brasileira de frevo regida por Carlos Calistrato animou as noites culturais e micaretas no município.  O grupo Garagem no final da década de 80 completava a história traçando perfil da composição sebastianense. Nomes como Claudia Santana, “Esquerdinha”, “Titito”, “Tutuca”, “Cara Ingrata”, Raul Sneto entre tantos outros, marcaram os festivais que ocorriam no recôncavo baiano.

Na Década de 70: Os Gemini 7, Banda Prisma;
Década de 80: Grupo Caixa de Música; Década de 90: Grupo Bagagem, Banda Ramal Só Kebrança; Década de 2000: Tony e seus Acordes; Serra Norte; Rony Fernandes; Emanuel - Diamante negro, Jairo e Beto, Feijoada com Feijão, Junior Santê e na
década de 2010 surge ainda Jô Miranda, Junior Sanfoneiro e Portela e banda, os três últimos voltados para o forró.

 Além do grupo Garagem, havia o Caixinha de Música, Dane Show, Ramal 4, Back's e Finos, Só Quebrança, Feijoada com feijão e Serra Norte.  Os seresteiros Claudio Nunes, Edson Leon e Antônio Carlos aderiram ao Arrocha  oportunizando o surgimento de novos talentos como é o caso  de Rony Fernandes e a dupla Jairo e Beto. Oseias Miranda, Jackson guitarrista são nomes que continuam fazendo música em São Sebastião do Passé.

O choro ainda persiste através da resistência de “Tornado” e seu conservatório de musica que atende os jovens e velhos instrumentistas da cidade. Outros migraram para o samba de roda, como foi o caso de “Seu Raimundo” (In memória) com o samba de roda de Araçatiba, “Seu Pequeno” com samba de roda da sede e “Seu Pedro” com o samba de roda de Maracangalha vive em função da preservação e valorização do samba chula tão comuns ao recôncavo e que foi reconhecido como patrimônio imaterial da humanidade. Já as filarmônicas e fanfarras fazem parte deste patrimônio sebastianense e a Lira de Maracangalha assume a liderança a partir do início deste século com sua escola de música e a charanga que alegra os festejos populares da região

As potencialidades musicais no município para a economia ainda está presa a ações pontuais e empírica do empreendedorismo pessoal. Depois do surgimento do Arrocha, isso se tornou potente devido à demanda de bailes de Arrocha na região que fomenta e gera emprego e renda para os músicos e compositores. Com o advento do reconhecimento do Samba de Roda como patrimônio Imaterial dois sambas especificamente (Maracangalha e Filhos de Araçatiba) atendem uma agenda esporádica de solicitação dos setores públicos e uma agenda cultural gerada pela programação da Casa do samba de Santo Amaro da Purificação.

A Filarmônica Lira de Maracangalha mantem a escola de música funcionando a partir de convenio com a Prefeitura local e apresenta-se a partir de alguns convites de participação em atividades culturais no recôncavo e Região Metropolitana gerando a sustentabilidade ainda precária da instituição. As bandas existente residentes na cidade são custeada pelos próprios membros necessitando de gerenciamento com visão de empreendedorismo e muitas ainda sem uma representação jurídica que viabilize efetivação de contratos com emissão de notas fiscais.

 As bandas de Forro do município tem participação pontual no período entre maio e agosto de cada ano e apesar de não haver registro de autoria de músicas de forró de compositores locais, alguns dessas bandas são projetados no mercado nacional da música como show musical.

No aspecto de autoria musical são muitos os compositores sebastianenses, os mais antigos que ainda produzem e colocam suas músicas no mercado cultural a exemplo de Esquerdinha, Tutuca, Titito, Raul Sneto, Edson Leon, entre outros e os mais novos a exemplo de Gabriel Matos que aos 17 anos já possui mais de uma centena de músicas de sua autoria.

 No entanto existe uma grande dificuldade de unir os compositores locais para fundamentar políticas públicas para a música devido ao comportamento introspectivo especificamente desses artistas, apesar de todos eles terem essas músicas gravadas e digitalizadas, alguns inclusive já com registros das obras.

 Em diálogos informais, puderam-se identificar dois desejos que são comuns entre os compositores da cidade: editar e publicar suas obras e a realização de Festivais para que possam mostrar suas composições. No entanto, não se identificou qualquer visão empreendedora de como desejam difundir e distribuir essa produção material, visto que ainda são apegados ao direito de propriedade absoluta gerando um receio e certo exagero de cautela na divulgação das composições, inviabilizando a articulação para o escoamento e divulgação das obras.

É notória a necessidade de capacitação desses artistas e de produtores culturais em elaboração de projetos, captação de recurso para a cultura, empreendedorismo cultural, economia criativa para fomentar o setor e gerar autonomia parta esses músicos. Além disso, uma nova geração de músicos surge no município que precisam de qualificação específica (canto, violão, guitarra, saxofone, bateria, sanfona) para já fortalecer essa caminhada pessoal da música sebastianense.

 

 

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